sexta-feira, 4 de maio de 2012

Minha História, Nossa História...

Ele olhou pra mim e no mesmo instante sabia o que fazer, não é a necessidade de ficar limpo, apesar de gostar e até pedir, mas a necessidade de cuidado, de ser tocado, de ser escovado, de ter as unhas aparadas, até ser perfumado mesmo que implique em vários espirros.

É ter o contato sincero entre cão e dono que há muito não acontecia, é querer estar bonito para que eu o veja como o cão especial que sempre foi e será sempre.

E agora está aqui, galante e exibido, aguardando elogios e mimos dessa dona que nem sempre é doce contigo mas que se pudesse doaria tudo em prol da vida desse pequeno ser e de todos aqueles seres que apenas buscam em você a capacidade de acalentar sua fragilidade sem tamanho.

Saudade do tempo em que eles eram tudo pra mim, não era apenas um serviço estético, era uma massagem nem sempre tão relaxante de dois egos: o ego do animal, para ser querido e do meu ego, de estar fazendo o bem a quem não me pede e a quem não espero nada em troca além daquele olhar terno de agradecimento. Muitas vezes pareciam precisar daquele cuidado, tinham a necessidade de ficar longe daquele dono e perto de alguém que o ouvisse com o olhar apenas, mas as vezes travávamos uma batalha, entre almas que não aceitavam ser tocados porque não sabiam o quanto bom isso era, as vezes essa batalha era travada a exaustão do orgulho e da força...as vezes um de nós saia machucado, eu machucada fisicamente e ele machucado mentalmente. E nos encontros seguintes tudo era esclarecido aos poucos até percebermos que tínhamos virado melhores amigos!

Dessas batalhas eu saí perdendo, tive que largar minhas almas nas mãos de outros, e até hoje lembro e me pergunto se estão sendo tratados com a dignidade que merecem, não apenas com carinho. 

Mesmo perdendo a batalha minha alma continua conectada a deles, um magnetismo que chama a atenção a qualquer distância, tanto que uma vez em uma praça qualquer me vi rodeada de uns vinte cães de rua, sendo que brinquei com apenas um...me vi como criança correndo com seus bichinhos imaginários pela praça mas eles estavam ali. E nós percebemos a hora de para, e cada um tomou seu rumo.

Esse magnetismo não quero perder nunca, me recuso! Assim como disse a uma amiga, o dia que a minha casa estiver vazia e sem animais será o dia em que eu morri, porque nada nesse mundo vai cortar essa conexão tão forte que é entre eu e os animais.

Patricia Gidi